O tempo corrói,
O tempo arranha,
E o Fim - mal supremo -,
Dá a ele seu caminho para pulsar
Porque tudo só existe verdadeiramente
Pelo cabo, tendo assim o seu tempo.
É assim que o momento
Só é momento por não mais existir
A felicidade só acontece
Por encontrar a dor a seu fim
E a infância deixa de ser um tempo vivido
Para ser um tempo esquecido.
Tempo de lascívia,
Prostituto e vulgar
Entrega-se a todos,
E com delicada perfídia,
Atua magistralmente,
Disseminando aquela dor
De quem sofre pelo tempo
(sobretudo vulgar).
O tempo é a sina do desesperado
É a causa maior de todo
E de qualquer sofrimento
O tempo é o maior tormento
De quem vê na morte o fim desejado
Porque junto com alívio,
O que mais ela oferece é o próprio tempo.
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