Amanheceu com vontade de correr. A praia se oferecia, plácida. Decidiu-se pela rua, pelo meio dela mesmo, com o asfalto a esfolar-lhe os pés e o barulho dos carros os ouvidos. Bom assim que não sentia inveja de tanta calma, além, é claro, de evitar o medo de se atirar ao mar, em desespero pela busca de paz.
Correu, correu, sem se preocupar nem com os sinais que, vai saber se foi por susto, pararam todos para vê-lo em seu exercício, se aquilo isso fosse. A rua uma hora daria em um fim, ou dele ou do mundo que, se tinha data para acabar, deveria ter um lugar de término também.
O suor escorria pela face, indo pingar na camisa grossa que vestiu para sufocar o coração pulsando. Sabia disso pelo sal molhando-lhe a boca, além da sensação de um estranho peso em suas costas, ombros e pernas. Seu corpo exauria-se, concluía, e uma hora tudo cairia no chão como uma massa disforme. Conseguiu ainda esboçar um leve sorriso no rosto. Mas cair, que era bom, nada caiu.
Por outro lado, o peso inventou de crescer enormemente, a ponto do homem não conseguir mover-se em velocidade normal, numa marcha lenta que chamava mais atenção do que a corrida ensandecida pela cidade.
Estranharia, se estivesse conseguindo pensar, mas a última coisa de que tem notícia é a de seu pé desprendendo-se do chão para nunca mais voltar. Os punhos fechados compunham com os cotovelos dobrados uma postura atlética. Atlética e estática.
O povo acudiu, com a rapidez de auxílio que só o povo tem. Primeiro chegaram puxando pelo braço, que, de duro, parecia pedra. Alguém lembrou de olhar o coração, sabe-se lá se ainda bate! Os que vinham não pelo acontecido, mas pelo tumulto, perguntavam-se quando a prefeitura havia colocado mais uma estátua na via pública, bem no meio dela, quem adivinha onde essa mania de estátuas vai parar.
Do meio da aglomeração, uma mulher precipitou-se. Aquele homem, homem não, o seu marido havia saído de casa sem nem tomar café, tão afoito, que parecia que uma hora colocaria as tripas para fora. Estava ali, imóvel, vamos ver se agora não atentava para os conselhos que a esposa dava.
Aproximou-se aflita, pelo homem e pelo sucesso de sua aparição pública (a rua parara, é verdade), chegou no ouvido do marido e, alisando o cabelo de seu homem, como boa e carinhosa mulher, chamou-o pelo nome.
Diante da falta de resposta, o que auscultava o coração sentencia: bater, não bate, mas morto não está, se não, não se segurava em pé. Uma movimentação, burburinho, alguma gargalhada. Todos se voltam para a esposa, como reagiria diante dos fatos, um marido-estátua, onde já se viu isso!
Enchendo o peito, tendo mesmo ajeitado o cabelo, lamentou, em tom elevado, valendo as costas do novo monumento como púlpito: coitado! E logo ele que odiava pombos!
Nossa, seu blog está chique! Diferente, com essa foto aí ao lado, com esse layout arrojado! Faz tanto tempo assim que não apareço por aqui? Desculpe minha falta de tempo, amigo, mas ando sem jeito até de escrever no meu próprio blog... Um grande abraço!
ResponderExcluirCris | Email | Homepage | 30-05-2004 11:45:02
Puts samamba, agora você foi longe, quase filosófico! Que caminho seguir? O caminho do sucesso financeiro, que todo pai, avô e tia quer que você siga? Ou o caminho do talento, do prazer, dos dons que temos? De fato George só não nasceu escritor porque não sabia escrever quando nasceu. E agora? Escrever um livro ou estudar pra a prova de direito penal? Se for pesar o talento, realmente o talento dele é a literatura...
Gustavo | Email | 27-05-2004 17:16:33
Fala seu papa-jerimum!!!! Escute bem o que eu tenho para falar: acabo de ler todos os contos e poemas e canções e o caralho a quatro que há em teu blog e chego à conclusão de que vc é um bobalhão. Por que desperdiçar todo este teu talento levando uma vida engravatada e corruptiva nos tribunais? Meu filho, vc nasceu para fazer isto. Todos sabemos, menos você (ou finge não saber). Para que viver em um mundo ditado por leis, artigos e incisos se você só atinge a felicidade criando, sonhando, encantando?? George meu amigo, falo isto porque te prezo. Largue essas baboseiras de direitos civis, penais, internacionais etcetcetcetcetc....., pois o que seus leitores realmente querem é o o direito de ler o que vc escreve. Pense nisso... Um abraço do amigo e mais novo fã,
Fernando Samambaia | 25-05-2004 20:05:08
Oi George! Muito legal seu blog, viu?! E aí, como estão as coisas no RJ? Eu eh q estou morrendo de saudades de vc e de tds do "phense". N sei se vc sabe, mas em julho estarei aí... Vc vai estar em Natal?! Tomara q n!!! Ah! jah ia esquecendo... Seus textos são M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O-S !!! Um bjao! =)
Carol | Homepage | 20-05-2004 21:26:58
Cara, impressionante.. Cada vez me admiro mais com esse seu dom inato, de escrever.. hehe. Portanto, nao pare.. "ha perigo na rua, eles venceram e sinal esta fechado para nos, q somos jovens"
Chico | 19-05-2004 20:13:39
oii!! Fazia um tempinho q n visitava o seu blogger, resolvi e adorei!! eu sei q já t falei isso, mas vale repetir: vc escreve muuuito bem!! fico impressionada!!
Carla Lira | Email | 19-05-2004 18:00:53
oii!! Fazia um tempinho q n visitava o seu blogger, resolvi e adorei!! eu sei q já t falei isso, mas vale repetir: vc escreve muuuito bem!! fico impressionada!!
Carla Lira | Email | 19-05-2004 18:00:39
engraçado como esse cara que corre parece comigo. eu sempre tenho vontade de correr pela manhã. primeira vez aqui. bonito isso tudo. parabéns.
Gaudério San | Email | Homepage | 19-05-2004 16:11:23
kkkk, adorei!! Muito legal, mesmo. Vc tem postado mais vezes e os textos estão cada vez melhores, por isso continue postando. A sua amiga que não faz nada quer alguma diversão. :)Também gostei do novo visual.
Helena | 19-05-2004 15:39:16
George..Adorei o texto, me transportei para história e me imaginei nessa rua , nesse tumulto! Outras coisas...visita meu fotolog !Botei as fotos da choppada no site da turma, depois da uma olhada! AHH , gostei muito do visual novo do seu blog
*Marizinha* | Homepage | 19-05-2004 15:11:37
Caramba, voce so posta qndo eu to sem tempo pra ler! Mas oh, adorei o novo visual...mais alegre! Visite la tb meu blog viu?Sim..vou pensar no seu caso, talvez te ligue.
Julia | 19-05-2004 14:02:43
Que maravilha! Realmente agora você se superou! Tem um pouco de kafka, tem um pouco daquele humor sádico, que coloca os personagens nas situações mais inusitadas. Uma obra prima!
Gustavo | Email | 19-05-2004 12:57:59