quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quinta-feira, Abril 28, 2005

Lá não havia pombos
Puseram na cova, de uma vez,
As praças, as calças, o frio,
E uma certa esperança de melancolia,
Tudo num mesmo jazigo, esculpindo no mármore
"Assim se vai o sentimento e a vontade de se ser poeta"
Isso sem que a poesia precisasse dos pombos.

De toda forma, ao julho sempre faltou a rima
(Ou talvez a rima pareceu por se recolher, esperando pelo julho -
Em uma carta por debaixo,
No abrir desconsolado,
No acender despropositado,
No jeito frustrado, calado, diacho!: dizia um não,...)

É que se fazia quente,
Que se fazia tumultuado, curto, mesmo indecente,
Que se fazia alegre por demais.

Alcunhavam-no de lírico por cantar os sabiás,
os rouxinóis, ou outros bichos cadenciados.
Mal sabiam! ou sabiam demais e o faziam em mexerico.
A verdade é que em nada adiantava todo esse lirismo
Se por lá não houvesse pombos de que se pudesse falar.

2 comentários:

  1. Ficou muito bom! :)

    Quel | Homepage | 29-07-2005 21:34:54

    Nao vai escrever mais nao ?

    Gabriel | Homepage | 28-07-2005 00:18:16

    Outra, outra. Escreve outra rapaz.

    Israel Son | Email | Homepage | 19-07-2005 17:45:54

    Muuuuuito bom...

    Mayra | 04-05-2005 18:40:31

    George vc me fez perder o sono na viagem que eu entrei lendo isso aqui.. posso comprar os direitos para publicar??

    Felipe Leiros | 28-04-2005 02:20:38

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