quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Desculpem-me a fuga...
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Perdi em não poucas vezes. Voltava-me para mim, como se por um acaso fosse dotado de uma emoção que tomava e que dobrava você e as coisas ao nosso, meu e da emoção, sabor. Perdi mais por demais procurar do que por, de fato, não dispor. A primeira veio da boca que em exagerado se abria; a segunda, da confiança que se declarava despropositadamente; a terceira, da insistência infinda, já de um desesperado, não mais de um tolo envolto em considerações. A quarta, fatalmente, veio de dentro.
Achei-a por acaso, escondida em um maço de cigarro apertadinha, meio que fazendo querença da unha para tornar-se considerável, de ponta-cabeça, jeito que arranjou de me sacudir as idéias. Guardei-a para depois, usando da protelação capa para o medo do inevitável.
Saiu decidida, atirando-se por si só, e nisso minha mais íntima vontade apelava para que não fosse, caindo à calçada, como que desajeitada, como que envergonhada, como que temerosa pela mais-dor que sua queda causava a quem a assistia do que a quem, realmente, a sentia - a perda. Pisei-a com certo ânimo, não que desejasse sepultá-la, mas o seu remorso simplesmente não permitia que eu conseguisse viver.

Um comentário:

  1. Gostaríamos de convidar este blog a participar dos Testes do blogstars.com.br (não requer nenhum cadastro, somente um selo de participante).

    BlogStars* | Email | Homepage | 17-12-2004 10:03:09

    Nenhum dos dois. É, na verdade, o que fica entre o comum e o extraordinário. É a evolução do comum (de mim, de você?)!. O meio termo entre nosso mundo e algum outro, não sei bem qual. Por isso escreve assim: estranho, intenso, perfeito. Afinal, deve ser desconfortavel não pertencer ao aqui, nem ao ali.

    Lélio | Email | 09-12-2004 13:48:20

    Engraçado como, mesmo antes de sequer acender, pode uma brasa amedrontar a ponto de se exigir impostergavelmente apagada... Virada de ponta cabeça, não queimaria as mãos, mas ao chão, a sola do pé não sabe de que lado caiu. Quanto a comum ou alienígena, espero que Natal fique num planeta mais aprazível que este daqui. Um abraço.

    Gabriel | 07-12-2004 23:24:32

    Ler os seus textos tem me feito formular umas teorias sobre você! Ou o senhor nao é desse mundo, ou é mais comum do que pensa... beijocas

    Lully | 06-12-2004 01:14:28

    Mr tambourine é muito apropriada para o horário

    Aires | Email | 03-12-2004 03:04:17

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