A razão é doença da alma: eis que lá está a alma, a alma calma, e a razão chega para fazê-la hesitar.
A hesitação é, pois, o sintoma da doença-razão. A diferença - pertubadora - entre o que se quer fazer, e o que é tido como o que se pode fazer.
Nos ínfimos momentos em que hesitamos antes de um beijo, de um tapa, das calças abaixadas, do prato devorado, nesses momentos, um modelo (que ninguém gosta, mas todos seguem) nos esmaga.
E isso tudo por causa da ética... A Ética - perdão - é mais forte que a política, que a moral, que a própria sociedade. Improfanável. soberana.
É por causa dela que não conhecemos o verdadeiro prazer: o beijo beijado sem olho, o tapa dado sem remorso, a calça rasgada com furor, o prato comido com o sabor nem sentido...
Por causa da ética (que provavelmente é uma velha em uma cadeira de balanço que range) que confundimos sentimentos com sensações. Essas, o gostinho do prazer. Aqueles, passaporte para o desfrute.
É por causa da ética e dessa porra de razão que passamos a vida toda achando que vivemos, quando na verdade perdemos tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário