terça-feira, 2 de junho de 2009

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Certa noite, uma prostituta do Lido chora; chora de jeito que nem é tanto choro em vão: canta o pranto daquela puta que, de seu, só o choro pode ser canção.

A puta sonha; sonha de jeito que sua mão frouxa leva o cigarro ao chão: tanto do seu sonho corre alto, mas seu cigarro, queimando leso, diz-lhe que não!


Certa noite, essa prostituta do Lido, horrorizada, deu para gritar, e só gritar.


Gritava, mas era uma coisa que ninguém acodia, que ninguém se ajuntava, que ninguém virava a cara nem muito menos comentava o seu horror. Vai ver achava-se que, por esses mercados, mesmo a compaixão tem de ser cobrada.


Uma criança até brincava na praça, e o cigarro da puta, naquela noite, consumia, indolentemente, mais um trago de ilusão.



Um comentário:

  1. O povo no Brasil gosta muito de escrever sobre essas criaturas caídas e supostamente dotadas de intelecto e tal. Pessoalmente, não é o meu ideal estético. Mas o post, mesmo tão curto, é bem melhor do que o tal livro em que o Paulo Coelho começa dizendo "Era uma vez uma prostituta chamada Maria". Mudando de assunto: ainda bem que o link para o Pequenas Misérias foi retirado. Agora é ter de aturar o teratológico Inteiro Teor. George, o que você acha dessa cratera em São Paulo? Aquele abraço.

    Mineiro | Homepage | 14-01-2007 18:06:35

    Primeiro post, sim. E espero conseguir fazer um post por dia

    Anonimato | Homepage | 11-01-2007 14:48:34

    Me lembrei da Geni. Feita pra apanhar, boa de dormir... Gostei.

    Gustavo | Email | 11-01-2007 03:46:43

    Seu blog estava nos ultimos atualizados. talvez vc tivesse acabado de postar qdo eu entrei e li. nao se preocupe com quem eu sou, só mais alguem com nda pra fazer querendo escrever, nda de mais, nda de ruim.

    Anonimato | Homepage | 11-01-2007 02:54:14

    post bonito

    Anonimato | Homepage | 11-01-2007 02:45:09

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