terça-feira, 2 de junho de 2009

Sábado, Março 24, 2007

Saibam que a ânsia que sinto ao ver os sorrisos estampados nas propagandas é a de quem espera a vida inteira pela fotografia mais bela. Sei que tudo são porta-retratos de uma existência estática, capturada por imagens instantâneas e lá aprisionada por todo o tempo que durar a tinta.

(Não sei ainda, por outro lado, a quem serve o prazer não compartilhado: a embriaguez solitária é tragédia, a punheta é doença, o cigarro é o vício e o ócio, a degeneração. Não sei a quem serve o tempo apressado, o momento engolido, o futuro empacotado em carta registrada para não se perder no caminho. Não sei, enfim, o que comprarei com o dinheiro que terei aos quarenta, mas me esforço, todo dia, para entender que nisso residirá minha felicidade)

Os velhos, por si, sorriem com as caras mais carrancudas do mundo, porque o riso há tempos perdeu-se nos primeiros quadros. Eles já perceberam para quem se vive. Eu, por mim, tento, cada vez mais, não me convencer.


Um comentário:

  1. pucha no caché mucho... es ke no te gusta sonrreir?? aaah! maldicion el próximo año en vez de tomar alemán tendré ke tomar portugues para entender las weas ke escribes! abrazos!

    LookAtMyEmail | Email | Homepage | 25-04-2007 01:03:27

    manifesto? inconformado? aceite não... não é imprescindível convencer-se abraçao e essa foto de quem é? faltou o sorriso. Já tinha ele sido perdido a esta época?

    Chico Natal-RN | 26-03-2007 01:55:27

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