terça-feira, 2 de junho de 2009

Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Era só gritarem o almoço que eles apareciam saracoteando cozinha adentro. Vinham da terra onde quer que a encontrassem, na rua, no quintal, no jardim já destruído pelo chafurdo cotidiano das manhãs de janeiro. Chegavam sonsos aqueles olhinhos, trazendo consigo a beleza que não admite reprimendas e que tudo se permite.

Tanta meninice me emocionava. Na verdade, nunca fui tão bobo em minha vida, ora invocado pelo abraço que a danada rejeitava só para me passar raiva, ora encantado pela bagunça que aqueles olhos, nuinhos, faziam no peito da gente.

Um dia parece que saíram para um passeio à tarde que demorou a mais porque o dia inventou de escurecer mais cedo.

Quando janeiro acabou, eles já não eram mais meus.

Até hoje os espero, remordido. Embriagado com a saudade e com a lembrança do tempo bom, nem percebi quando aqueles olhos manhosos levaram a minha menina buliçosa que nunca mais voltou.

Um comentário:

  1. Gritar o almoço é muita infância, excelente.

    Arturo | Homepage | 26-10-2008 23:21:32

    "natural é as pessoas se encontrarem e se perderem" c. fernando abreu. pessimista como tudo que se pode tocar. mayara

    mayara | Email | Homepage | 14-10-2008 02:31:13

    Obrigada pelo comentário e me perdoe pela distração, amigo George!! Corrigi o erro a tempo! Beijos =)

    Cris | 10-10-2008 08:34:26

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