Era só gritarem o almoço que eles apareciam saracoteando cozinha adentro. Vinham da terra onde quer que a encontrassem, na rua, no quintal, no jardim já destruído pelo chafurdo cotidiano das manhãs de janeiro. Chegavam sonsos aqueles olhinhos, trazendo consigo a beleza que não admite reprimendas e que tudo se permite.
Tanta meninice me emocionava. Na verdade, nunca fui tão bobo em minha vida, ora invocado pelo abraço que a danada rejeitava só para me passar raiva, ora encantado pela bagunça que aqueles olhos, nuinhos, faziam no peito da gente.
Um dia parece que saíram para um passeio à tarde que demorou a mais porque o dia inventou de escurecer mais cedo.
Quando janeiro acabou, eles já não eram mais meus.
Até hoje os espero, remordido. Embriagado com a saudade e com a lembrança do tempo bom, nem percebi quando aqueles olhos manhosos levaram a minha menina buliçosa que nunca mais voltou.
Gritar o almoço é muita infância, excelente.
ResponderExcluirArturo | Homepage | 26-10-2008 23:21:32
"natural é as pessoas se encontrarem e se perderem" c. fernando abreu. pessimista como tudo que se pode tocar. mayara
mayara | Email | Homepage | 14-10-2008 02:31:13
Obrigada pelo comentário e me perdoe pela distração, amigo George!! Corrigi o erro a tempo! Beijos =)
Cris | 10-10-2008 08:34:26