Tudo o quanto me foi dito, e o mais
Eu guardo para quando não houver mais nada.
Eu sou de 85 e me perco no tempo;
Só lembro do cheiro.
Aquela vida projetada atrás
Perdeu-se na ressaca de domingo mal curada.
Eu digo que não grito, mas eu sei quando tremo;
É que o nada me põe medo.
Pudera eu trocar de cartas
(talvez de brincadeira);
Quem dera eu me livrasse do carma.
Só basta um dia e já o leite coalha
(por mais que eu não queira);
É só uma curva e já o fim da estrada.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Janeiro 16, 2013
Sempre me lembro de quando brincávamos na praia. O vento fresco de janeiro fazia de qualquer noite, inda cedo, uma madrugada. Eu, besta que era, corria do seu abraço, mas ele chegava de todo jeito, porque mais certo que o vento fresco naqueles janeiros era o seu abraço. Nem me lembro do que falávamos; lembro que a vida era boa e os sonhos eram muitos. Ali mesmo naquela praia vi você chorar, chorar de rir, chorar de choro e chorar pela bebida, que um dia lhe pegou despreparada e me arrumou uma cena que até hoje me faz rir. Sempre ri de você chorando.
Nunca mais voltei para ali à noite. Os janeiros já não são mais os mesmos e tenho para mim que a água do mar não fica mais quentinha como ficava antes. Também já não sei se consigo caminhar por aquela areia; acho que só de ver aquele trapiche pode ser que quem chore seja eu e, quando isso acontecer, você não vai estar lá para rir de mim.
Março 14, 2012
Lembrar não deixa de ser um esforçar.
Tinha ainda tanto tempo quando aconteceu. Do jeito que se mexia, o jeito que olhava, era tudo um vislumbro ansiado, inquieto, cheio de viço.
essa pressa toda é pra quê?
- Ué, e que vida que espera por alguma coisa?
Deixou por lá uma vontade de voltar...
hoje, coitado, sofre por não ter para onde ir.
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