Janeiro 16, 2013
Sempre me lembro de quando brincávamos na praia. O vento fresco de janeiro fazia de qualquer noite, inda cedo, uma madrugada. Eu, besta que era, corria do seu abraço, mas ele chegava de todo jeito, porque mais certo que o vento fresco naqueles janeiros era o seu abraço. Nem me lembro do que falávamos; lembro que a vida era boa e os sonhos eram muitos. Ali mesmo naquela praia vi você chorar, chorar de rir, chorar de choro e chorar pela bebida, que um dia lhe pegou despreparada e me arrumou uma cena que até hoje me faz rir. Sempre ri de você chorando.
Nunca mais voltei para ali à noite. Os janeiros já não são mais os mesmos e tenho para mim que a água do mar não fica mais quentinha como ficava antes. Também já não sei se consigo caminhar por aquela areia; acho que só de ver aquele trapiche pode ser que quem chore seja eu e, quando isso acontecer, você não vai estar lá para rir de mim.
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