sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tudo o quanto me foi dito, e o mais
Eu guardo para quando não houver mais nada.
Eu sou de 85 e me perco no tempo;
Só lembro do cheiro.

Aquela vida projetada atrás
Perdeu-se na ressaca de domingo mal curada.
Eu digo que não grito, mas eu sei quando tremo;
É que o nada me põe medo.

Pudera eu trocar de cartas
(talvez de brincadeira);
Quem dera eu me livrasse do carma.

Só basta um dia e já o leite coalha
(por mais que eu não queira);
É só uma curva e já o fim da estrada.

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